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Selos tornam-se exigência | 29-01-2007

Cada vez mais diversificadas, certificações são requisito para empresas que atuam globalmente

GABRIELA GODOI E RENATA VICTAL
DO JORNAL DO COMMERCIO

Atestar publicamente que determinado processo, produto ou serviço está em conformidade com requisitos especiais. Este é o principal objetivo de uma certificação. As mais comuns são a ISO 9.001, que atesta os sistemas de gestão da qualidade, e a ISO 14.001, que garante a gestão ambiental. Há ainda uma possibilidade infinita de atestados. É possível certificar de alimentos a informações. Segundo executivos e especialistas, apesar dos recursos e da carga de trabalho investidos, vale a pena buscar certificações - se a empresa tem atuação global, obter os selos passa a ser primordial.

Dados do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) mostram que o Brasil soma 5 mil empresas com produtos certificados. De acordo com Alfredo Lobo, diretor de Metrologia de Qualidade do instituto, a certificação pode ser compulsória ou voluntária. Nas duas alternativas, o processo é caro, longo e pode se tornar um verdadeiro calvário para as empresas, sobretudo se elas não se adequarem às normas antes de procurar uma entidade certificadora.

As certificações obrigatórias são regulamentadas por lei ou portaria. Nestes casos, a prioridade é sempre relativa às questões de segurança, saúde e meio ambiente. Assim, os produtos listados nas regulamentações apenas podem ser comercializados com a certificação. Quando não há exigência governamental, a empresa decide se quer ou não ostentar um selo de certificação.

"A sistemática das certificações nos permite ter confiança das normas que estão sendo adotadas por determinadas empresas. No caso de brinquedos, por exemplo, sabemos que aquele produto está de acordo com normas de segurança e qualidade. Sabemos que podemos confiar. Hoje temos 70 famílias de produtos com certificação compulsória, como brinquedos, e 190 famílias de produtos no campo voluntário, como a cachaça", explica Lobo.

Para José Salvador, gerente de Novos Produtos da Fundação Vanzolini, entidade sem fins lucrativos gerida por professores do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), alguns tipos de certificação são fundamentais para o funcionamento da empresa. "A certificação de qualidade é hoje uma espécie de credencial mínima. Não basta a empresa demonstrar que é boa tecnicamente para fazer negócios. É preciso demonstrar que os direitos do trabalhador são garantidos, que o meio ambiente não é agredido e que a empresa é socialmente responsável. Para as operações de B2B (business-to-business), as certificações são exigência. Em alguns casos, quem não tem ISO 9.001 nem participa de licitações. Exportar então, nem pensar", afirma Salvador.

ENERGIA. Foi pensando assim, que a Endesa Geração Brasil decidiu certificar as três empresas do grupo (Endesa Cien, Endesa Cachoeira e Endesa Fortaleza) pela ISO 14.001, em meio ambiente, e pela OHSAS 18.001, em saúde e segurança do trabalho. A Endesa Cachoeria, usina hidrelétrica em Goiás, foi a primeira a iniciar o processo, tendo alcançado o certificado em 2005. As outras foram certificadas no ano passado.

"O trabalho aumentou a consciência ambiental e em segurança laboral dos colaboradores, gerando impactos positivos para os prestadores de serviço, fornecedores e para as comunidades no entorno das empresas", conta Raimundo Câmara, diretor de Recursos Humanos.

Para cada empresa, o processo de certificação durou mais de seis meses. Foram criados o Comitê Diretivo Local e o Grupo de Implantação para conduzir os trabalhos de implantação. Todas as áreas da empresa e prestadores de serviço foram envolvidas e se comprometeram com as responsabilidades, atribuições e prazos. O grupo teve consciência de que para o perfeito funcionamento do sistema seria fundamental que as mudanças fossem permanentes.

"Foi um grande desafio, pelo tempo e pela complexidade do tema. Na prática, respaldamos procedimentos e adequamos alguns outros às normas do órgão certificador. Nosso processo foi um pouco mais simples porque já trabalhávamos com esses conceitos, de respeito e responsabilidade com o meio ambiente. A chave para o sucesso efetivo da implantação e manutenção das certificações depende do envolvimento de 100% da equipe", conclui Câmara.

PRODUTOS. Os selos de certificação, no entanto, não estão restritos aos processos de gestão. O Inmetro, em parceria com a Eletrobrás, instituiu, como parte do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), o Prêmio de Eficiência Energética. Vinte e cinco produtos da linha branca (eletrodomésticos) da LG Eletronics foram reconhecidos pelo seu baixo consumo energético.

"O consumidor, cada vez mais, está buscando produtos que gastem menos energia. O selo Procel em nossos condicionadores de ar e lavadoras passam aos nossos consumidores nossa preocupação com o gasto de energia", afirma Anna Karina Villar, gerente de Produto de Linha Branca da LG. Neste ano, a linha de refrigeradores será certificada com o mesmo selo.

O recebimento de um dos selos de certificação alavancou as vendas da CAF Santa Barbara, empresa do Grupo Arcelor Mittal que produz carvão vegetal. Segundo Roosevelt de Paula Almado, gerente de Meio Ambiente, ao conquistar qualificações como a certificação da Forest Stewardship Council (FSC), novos compradores apareceram. O selo comprova a capacidade de manejar recursos florestais de forma ambientalmente correta e socialmente justa.

"A qualidade de nossos serviços aumentou após a certificação. Não tínhamos expectativa de ganhar mercado, mas aumentar nossa visibilidade. Já existem grupos de compradores que passaram a nos procurar para adquirir nossos produtos por causa da certificação. A procura é de 6% a 10% mais alta que o normal", afirma Almado. O trabalho para certificação começou em 2003 e terminou no ano seguinte.

O consultor André Luis Soares Pereira, do grupo Soares Pereira Consultores, alerta que, antes de buscar a certificação, a empresa deve avaliar se o investimento - em torno de R$ 20 mil - trará benefícios. "A certificação é importante para as empresas que pretendem abrir capital ou atuar no mercado exterior. Esses certificados são muito valorizados por corporações estrangeiras", diz.

Para conseguir a certificação, é preciso contratar um organismo credenciado no Sistema Brasileiro de Certificação - com a chancela do Inmetro ou da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Hoje, 40 empresas estão aptas a realizar este serviço. As certificações podem envolver análise de documentação, auditorias, inspeções na organização, coleta e ensaios de produtos, no mercado e/ou na fábrica. "O interessante é que este processo é uma oportunidade que a empresa tem de se reorganizar, de definir sua visão, seus valores. Exige muito controle e paciência. São auditorias intermináveis até que a empresa seja aprovada", conta Pereira.

Preparação anterior é fundamental
A preparação prévia é fundamental para passar em todas as auditorias com vistas a obter a certificação almejada. Nessa etapa, algumas empresas optam por contratar o serviço de consultorias especializadas em certificação. De acordo com Verônica Simões, diretora da Path Consultoria, há quem leve mais de um ano para se adequar aos padrões internacionais.

"Preparamos a empresa para que ela possa receber os auditores da certificadora. É preciso atender a todas as exigências. Algumas certificações, como a ISO 20.000, que atesta os processos de gerenciamento de TI, ainda não possuem um quadro de auditores brasileiros reconhecidos. Para certificar uma empresa nesta norma, por exemplo, é preciso trazer auditores de outros países. Em apenas quatro dias de auditoria, a empresa pode desembolsar R$ 40 mil. É um valor alto", explica Verônica.

Na CST Arcelor Brasil, a preparação anterior à inscrição foi fundamental. Primeiro, a empresa foi adaptada às normas exigidas e, posteriormente, inscrita para avaliação. Segundo Luiz Antonio Rossi, gerente de Meio Ambiente da CST Arcelor Brasil, o primeiro passo foi instalar totalmente o sistema de gestão e qualificar os funcionários para operação. "A tensão anterior à certificação pode ser um grande problema para as empresas. Assim, só buscamos o certificado quando já tínhamos o sistema instalado, pois era necessário saber até que ponto seria interessante se apresentar para a certificação antes de estar com o novo sistema totalmente instalado, atendendo às normas ISO", explica Rossi.

A CST, segundo o executivo, já se preocupava com normas de gestão desde o início de suas operações, em 1983. "Em 2001, já após o processo de privatização, buscamos nos preparar para obter a certificação em um ano. Como nosso sistema já estava avançado, aproveitamos para certificar também as centrais termoelétricas, a gestão de resíduos e co-produtos e o transporte no porto de Praia Mole, no Espírito Santo", completa. Ao final do exercício de 2005, a CST-Arcelor Brasil registrava dez certificações dos Sistemas de Gestão de Qualidade (SGQ) e três acreditações de laboratórios, além da ISO 14.001, de gestão ambiental, e da OHSAS 18.001, em saúde e segurança do trabalho.

PRAZO. A adequação às normas demora, em média, um ano, afirmam os executivos. Abílio Rodrigues Carvalho, gerente de Controle de Qualidade e Engenharia Industrial da Arno, lembra que seu setor foi o responsável pela adequação das normas da empresa às exigências das certificadoras. A fabricante de eletrodomésticos conquistou o ISO 14.001, em meio ambiente, no ano passado.

"Quem não tem certificação, encontra dificuldades para se colocar no mercado, principalmente na exportação. Até mesmo os consumidores já exigem uma postura de responsabilidade ecológica das empresas. Como são certificações mais focadas em qualidade e segurança do trabalho, minha área foi a responsável pela preparação para a certificação", explica Carvalho.

Gabriela Godoi e Renata Victal CONHEÇA ALGUMAS CERTIFICAÇÕES 4 ISO 9.001 - padrão internacional para a gestão de qualidade baseada em oito princípios de boas práticas de negócios: foco no cliente, liderança, envolvimento de pessoas, abordagem por processos, abordagem sistêmica para a gestão, melhoria contínua, abordagem factual para tomada de decisão e benefícios mútuos nas relações com os fornecedores. 4 ISO 14.001 - relativa à gestão ambiental, especifica os requisitos mais importantes para identificar, controlar e monitorar os aspectos do meio ambiente de qualquer organização, bem como administrar e melhorar os processos que envolvem o meio ambiente. 4 ISO 20.000 - norma que atesta os processos das áreas de tecnologia da informação (TI) das empresas. A informação se mostra como o bem mais importante e, sendo assim, precisa ser protegida de acordo com os riscos associados. 4 ISO/TS 16.949 - mais recente padrão normativo desenvolvido para os sistemas de qualidade dos fornecedores da indústria automobilística. Tem como objetivo atender aos requisitos das principais montadoras do mundo. 4 OHSAS 18.001 - padrão internacional que estabelece requisitos relacionados à gestão de saúde ocupacional e segurança. 4 SA 8.000 - envolve o desenvolvimento e a auditoria de sistemas de gestão que promovem as práticas de trabalho socialmente aceitas, proporcionando benefícios à sociedade em geral. A iniciativa se baseia na estrutura ISO 9.001 e 14.001, nas convenções da Organização Internacional do Trabalho e das Nações Unidas dos Direitos das Crianças, e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. 4 ABNT NBR 16.001 - certifica a gestão da responsabilidade social. 4 BBR ISO/IEC 27.001 - certifica a segurança de informação. 4 NBR/ISO 22.000 - certifica a qualidade dos alimentos. 4 Barras e Fios de Aço 4 Brinquedo - Segurança 4 Cabos e Cordões Flexíveis 4 Capacete de proteção para ocupantes de Motocicletas e similares 4 Configuração de Motores - Emissão Veicular, Dispositivo de Fixação de Contêiner - Fabricação, Eixo Veicular Auxiliar - Adaptação, Eixo Veicular Auxiliar - Fabricação 4 Embalagem Plástica para Álcool 4 Equipamento Elétrico para Atmosfera Explosiva 4 Equipamentos Eletromédicos 4 Extintor de Incêndio - Fabricação, Extintor de Incêndio - Inspeção, Manutenção e Recarga 4 Fios e Cabos Isolados até 750 V 4 Filtro Tipo Prensa para Óleo Diesel 4 Fósforo 4 Fusível Tipo Rolha Cartucho 4 Mamadeira 4 Mangueira PVC para GLP 4 Pneus novos de Automóveis, Caminhões e Ônibus 4 Pneus Novos de Motocicletas, Motoneta e Ciclomotor, Ônibus Urbano - Carroçarias 4 Recipiente de Aço para GLP - (Botijão de gás) 4 Regulador de Pressão para GLP 4 Requalificação de Botijões de Gás (Distribuição de GLP) 4 Preservativo Masculino 4 Vidros de Segurança dos Veículos 4 Veículo (Rodoviário) Porta-Contêiner - Fabricação e Adaptação.

Fonte: Jornal do Comércio

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